quarta-feira, 17 de abril de 2019


Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes


Esse soneto é, simplesmente, magnífico. Você percebe a cegueira ao amar. Nem mesmo de  frente com morte ou  tendo a solidão como amante, o indivíduo se contém. Eu diria que esse estado de demência somente o amor consegue atingir.

sábado, 6 de abril de 2019


Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta que é uma prova de afeição
Talvez tu não a leias, mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de meu bem
Porém o que me importa é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém

Tanto tempo faz que li no teu olhar
A vida cor de rosa que eu sonhava
E guardo a impressão de que já vi passar
Um ano sem te ver, um ano sem te amar
Ao me apaixonar por ti não reparei
Que tu tivestes só entusiasmo
E para terminar amor assinarei
Do sempre sempre teu, Erasmo.

Escrevo-te estas mal traçadas linhas, porque veio saudade
Visitar meu coração.. espero amor...espero amor...ôôôô...